quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O que anda acontecendo aqui?...
O pior é que não tem me faltado uma vontade enorme de postar, um monte de coisas, tantos assuntos diferentes... Só que a preguiça e a falta de organização tem ganhado fácil da vontade!
Vou tentar explicar, para quem eventualmente passa por aqui (se é que alguém ainda passa) e para mim mesma o que esta acontecendo aqui...
Este espaço é muito meu, é tão íntimo, tão particular, que acaba refletindo a "dona"... Eu tenho, digamos, um probleminha de organização (o diminutivo eu posso usar, já que eu sou a "dona"!), uma pequena dificuldade de organizar meu tempo e coordenar as atividades... especialmente eu tenho muita facilidade para começar as coisas e muita dificuldade para termina-las!
É claro que na "vida real", as pessoas ou as ciscunstâncias acabam me obrigando a dar um fim no que foi começado. Já na "vida virtual", neste cantinho tão e só meu... aqui a coisa se complica e eu acabo perdendo o controle da situação... hoje eu verifiquei: existem 35 rascunhos de posts já digitados no editor do blog!!! 35 posts que eu começei e não terminei! Só da viagem para Europa são 4, recheados de lindas fotos! Postagens de livros que andei lendo são mais de 10! Receitas culinárias também tem muitas! E outros tantos que já até perderam o sentido: natal, vigem a Sampa, coisas dos sobrinhos, etc e tal!
Mas eu estou com muitas saudades de postar e por isso resolvi tentar mais uma vez recomeçar e não deixar tudo pelo meio do caminho...
Vejamos no que vai dar...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Sobre silêncios...
O silêncio que eu mesma sou capaz de fazer, estando junto com alguém ou com várias pessoas já me incomodou muito. Estar em silêncio na presença do outro me deixava a sensação de que eu não tinha (ou não demonstrava ter) afinidade, simpatia, intimidade, amizade e sei lá mais o quê!
Hoje já entendo melhor o silêncio...
Achei interessante o fato de que algumas leituras recentes que fiz trouxeram a questão de maneira tão forte... Por isso resolvi compartilhar!
De Mia Couto, Antes de Nascer o Mundo:
"A família, a escola, os outros, todos elegem em nós uma centelha promissora, um território em que podemos brilhar. Uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros.Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.
Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.
- Venha, meu filho, venha ajudar-me a ficar calado.
E era assim todas as noites (...). Depois, ele inspirava fundo e dizia:
- Este é o silêncio mais bonito que escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito.
Ficar devidamente calado requer anos de prática. Em mim era dom natural, herança de algum antepassado." (pgs. 13 e 14)
De Isabel Allende, A Soma dos Dias:
"Janeiro chega depois de alguns meses sem escrever, nos quais vivi voltada para fora, na balbúrdia do mundo, viajando, promovendo livros, dando conferências, rodeada de gente, falando demais. Barulho e mais barulho. Mais que de qualquer outra coisa, tenho medo de ter me tornado surda, não poder ouvir o silêncio. Sem silêncio, estou em apuros." (pag. 12)
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Arroz de Palma
"Eu aqui, um velho de 88 anos. Para os mais novos, o Avô Eterno, o que não teve começo nem terá fim, o que já veio ao mundo com esta cara enrugada. Eu aqui, de avental branco, picando o tempero verde. Preparo o almoço de família. Terei forças? 88: dois infinitos verticais. É boa idade, será uma bela festa." (p.09)
"Lembranças vivas em todos os sentidos: paladar, olfato, audição, visão e tato. Sigo em frente. (...) Sou passado, presente, futuro - três pessoas distintas reunidas numa só, mistério da terreníssima trindade." (p. 09-10)
"Velho sente saudade de mãe e de pai. Tudo faz tanto tempo! Velho quer colo, quer colher na boca vindo de aviâozinho, quer - banho tomado - que lhe ponham na cama, lhe aconcheguem com lençol limpo e travesseiro macio. (...) Velho sente saudade da instância superior. Quem o julgará com isenção e sabedoria? Quem, melhor que ele, saberá, imparcial, examinar o mérito da questão? Velho é criança de fôlego diferente. Já não lhe interessam as correrias nos jardins, o sobe e desce das gangorras, o vaivém dos balanços. É tudo muito pouco. O que ele quer agora é desembestar no céu, soltar os bichos que colecionou a vida inteira." (p. 10)
"Cedo também aprendi que o corpo conhece outras maneiras de se purificar. A urina, a menstruação, o vômito, as espinhas, o esperma, a coriza e o suor, tudo nos purifica. O que o corpo põe para fora é sinal de purificação. Assim, as lágrimas seriam a forma mais elevada de nos purificarmos. E o nascimento de uma criança, a mais completa." (p. 22)
"Neto faz bem à saúde. Se avô é pai com açúcar, neto é filho com proteínas, vitaminas e sais minerais. Um abraço de neto a cada 24 horas substitui perfeitamente qualquer tipo de medicamento." (p. 24)
"- Antonio, te amo muito, sabes?
- Eu também te amo, Tia.
- Amas nada! Quanto? Diz.
Abro os braços o mais que posso. Tia Palma provoca.
- Só isso?
Continuo com os braços estendidos ao máximo. Olho uma e outra extremidade. Movo a ponta dos dedos tentando alcançar uma medida de amor ainda maior. Esforço inútil. Mas mostro que não vou desistir assim tão fácil. Mesmo que leve tempo.
- Quando eu crescer, meus braços vão crescer também, não vão?
- Claro que vão, meu querido.
Encolho os ombros e faço minha melhor oferta.
- Então você vai ter que esperar eu crescer.
O sorriso de Tia Palma me mostra que entre um cantinho e outro da boca, sem muito esforço, cabe todo o amor do mundo. Amor desmedido que dispensa palavras e gestos largos." (p. 28-29)
E tem muito mais! Um dia eu continuo...
domingo, 15 de novembro de 2009
Um mergulho na essência feminina
domingo, 31 de maio de 2009
Uma viagem, um destino e a redescoberta de duas cidades...
Uma viagem que queríamos fazer a tempos... Nada mirabolante, mas nunca criávamos oportunidade!
Deixamos a mala no hotel, na Rua da Consolação quase esquina com Av. Paulista! Também lá tomamos um bom café da manhã. Estas são algumas das vantagens de um hotel econômico (não simplesmente barato!): o check-in e check-out só podem ser feitos ao meio dia, mas antes ou depois deste horário você pode guardar as bagagens no guarda-volumes (pagando um valor justo, mais barato que o guarda-volumes da rodoviária), pode comprar o ticket do café e comprar água, suco, chocolates e sanduíches na lojinha do lobby. Assim a gente economiza na diária, mas não fica na mão!
Do hotel fomos direto para o centro: Estação da Sé! Conhecemos a Catedral (a missa solene - com a presença do Bispo e da Pastoral do trabalhador, com direito a manifestantes do PT, sindicatos, PSTU e moradores de rua - estava justamente começando!), o Marco Zero e o Largo São Francisco e começamos nossas andanças pelo centro!De lá fomos andando até o Mosteiro de São Bento e o Pátio do Collegio! Ambos estavam fechados e só pudemos ver pelo exterior... uma pena!
Como estava muito cedo, as ruas desertas e o comércio ainda fechado o "clima" não estava muito legal... mas foi o único momento em que ficamos um pouco inseguros.Continuamos andando até a Torre do Banespa (também fechada!), o Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú, a igreja de Santa Efigênia e dá-lhe pernas! Uma delícia!
Depois de metrô fomos até a av. Paulista matamos um tempo na enorme Livraria Cultura! (Lá eu comprei o livro "Por que Heloísa?", da também blogueira Cristiana Soares. O livro não tem nada a ver com esta viagem, mas ele é tão legal que eu não podia deixar de falar!)
Voltamos ao hotel, tomamos um belo banho e fomos almoçar.
De lá fomos à pé (coitada das pernas...) até o Estádio do Pacaembu, visitar o Museu do Futebol (site). Adorei! Fui sem grandes expectativas, mas achei BEM legal! O museu agrada a público de todas as idades, das crianças aos nossos avós que não cansam de se lembrar da Copa de 1950! E o museu é dinâmico e variado: para quem gosta de ler, ele tem muita informação escrita; para quem gosta de imagens, ele tem muitas fotos, muitos videos e até um filminho com efeito 3D; para quem gosta de tecnologia e interatividade, ele tem até campinho com bola virtual!
O museu foi instalado literalmente embaixo das arquibancadas, portanto a estrutura de concreto fica aparente!
Isto não me incomodou em nada, pelo contrário, achei até legal e o que eu mais gostei foi um local, bem na base, onde acontece, entre a terra e os pilares, umas projeções de imagens, com som, das torcidas durantes alguns jogos! Dá para sentir a vibração da torcida! Para finalizar, de quebra, a gente ainda conhece o estádio!
Sábado, 02 de maio:
Logo depois do café, pegamos o metrô com destino ao Mercado Municipal, estação São Bento! Só que a ficha ainda não tinha caído: Estação São Bento, saída pela ladeira Porto Geral é justamente a entrada para a famosa "25 de março", rua de comércio popular e 'trocentos' camelôs, lá chamados também de toureiros! Na ida para o mercado já estava meio confuso, mas a volta foi inacreditável! Que multidão! Que confusão! Bom... mas o Mercado realmente vale a pena! O prédio é lindo e muito bem conservado (pena a sujeira do lado de fora!)! A bancas são grandes e os corredores bem largos, bem diferente do nosso Mercado Central de BH! O mix de produtos é bem variado, mas não tanto quanto o daqui.Voltamos para o centro. Andamos e passeamos! Fomos a alguns sebos e depois ao Centro Cultural Banco do Brasil, onde estava acontecendo a exposição "Era uma vez: arte conta histórias do mundo"! A construção é bem legal e a exposição também era, mas o que eu mais gostei, confesso, foi de conhecer a Dê e sua família! Só não aguentei foi ficar muito por lá, poi já estávamos exaustos! A Dê ficou lá, no meio da criançada, para uma sessão de contação de estória que prometia!
Antes de voltarmos ao hotel ainda visitamos o Centro Itaú Cultural, na Paulista!
Para fechar o dia com chave de ouro resolvemos jantar no tradicionalíssimo Restaurante Famiglia Mancini, no Bela Vista, na Rua Avanhandava! E simplesmente não é possível explicar o sabor daquele jantar! Sem contar a ambientação, carregada, over e sensacional! Não é barato, pelo contrário, mas vale a pena!
Logo cedo fomos para o Bairro da Liberdade! Confesso que ele me surprendeu: esperava um lugar um pouco mais tranquilo e com ruas e calçadas mais largas, menos camelôs... Mas nos divertimos muito! Tanto passeando pela feirinha e pelas ruas, como nos mercados com comidas e ingredientes orientais e nas lojinhas com milhões de produtos importados!
Aproveitamos o embalo e almoçamos sushi! Muito bom! E descobrimos os picolés coreanos, especialmente o Melona, verdadeira febre por lá! Uma delícia! (Sorte que ele chegou a BH, logo depois da nossa volta!)
Voltamos para a Av. Paulista e visitamos o Masp, que estava com uma exposição do Vick Muniz, muito boa!
Resolvemos então conhecer a famosa rua Oscar Freire, rua de lojas chiques e carrésimas! O legal é que mesmo sendo domingo de tarde algumas poucas lojas estavam abertas (não que nós tenhamos entrado!) e outras tantas tem a vitrine à mostra, ou seja, não são protegidas por portas de aço, por isso é um passeio legal, mesmo sem nenhuma intenção de comprar! (Não tão legal assim é fazer tudo isso à pé, da Paulista até lá, ida e volta, mas isso já é outra história!)
Antes de voltarmos ao Hotel ainda voltamos na livraria cultura, mais especificamente, no Café Viena da livraria, onde fizemos um bom lanche!
E assim terminamos nossa viagem a São Paulo! Bem, na verdade não apenas assim... Voltei refletindo muito sobre a 'minha' cidade... Certamente BH não tem toda a efervescência de São Paulo, nem de longe, lógico! Mas quando eu já me propus a ser turista na minha própria cidade? Não seria legal tentar redescobri-la e explorá-la mais? Acho que sim e é o que eu pretendo tentar... Assim que eu conseguir colocar algo do tipo em prática eu volto para contar!
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Andei lendo...
“Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão... solidão foi a única coisa que não senti depois de partir. Nunca. Em momento algum. Estava, sim atacado por uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade, mas nunca estará só”.
Trecho do livro “100 Dias entre Céu e Mar”
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Um segredo...
— Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida?
— Quero — respondi.
O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:
— Pense nos outros.
Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de segui fazendo-me feliz como um menino.
Nem sempre é fácil, mas sempre tem alguém praticando! Está duvidando? Então espia aqui! Um ato de doação e um depoimento de coração!

