Aceitamos o desafio de bom grado, lógico! (Desafio sim! Afinal o pequeno encantador tinha apenas 1 aninho e 4 meses!)
Buscamos o pequeno antes do almoço. Sem entender direito a dimensão daquilo tudo, ele foi despertado de um soninho leve, deu tchau para o papai e o irmãozinho e, com a melhor cara do mundo, entrou no carro dos padrinhos.
Foi colocado direto na cadeirinha, no banco de trás, e nem resnungou por ficar lá sozinho. Lógico que eu levei uns brinquedinhos e isso foi a minha sorte, pois com menos de 10 minutos ele já estava cansado daquela 'viagem'.
Fomos almoçar na casa dos meus sogros. Lá ele foi o centro das atenções e, apesar de uma certa timidez, foi muito simpático com todos, sorrindo e balançando a cabeça para dizer sim ou não. No princípio ficou meio acanhado, mas eu questão de minutos parece ter entendido perfeitamente o "fiquem a vontade" com que fomos recebidos. Já no chão, segurou o dedo do padrinho e começou a 'puxa-lo' a fim de desbravar toda a casa, entrando em cada cômodo que via aberto, como que para fazer a inspeção. Visto que não tinha nenhum perigo, largou o dedo e ia sozinho!
Ele não fez jus a um dos seus apelidos: saco sem fundo! Comeu sim, mas bem menos que o de costume! Mas em compensação, devorou a barrinha de chocolate prestígio que deram para ele! Não deixou nem um pedacinho para mim, que ainda passei o maior sufoco para não deixar ele sujar o sofá e as paredes! Depois disso ele ainda se divertiu um pouco querendo abrir todas as portas do buffet (e eu tentando manter tudo sem quebrar!) Em seguida ele achou que já estava na hora de irmos embora: apontava para a porta, ia até ela e de lá olhava para a gente como quem diz: Vamos!
Saindo de lá, fomos a uma loja de vinhos. Novamente ele ficou muito bem na cadeirinha e quase dormiu. Mas aí paramos o carro e ele despertou. Fiquei no carro enquanto o marido lindo entrou para fazer a compra. Erro fatal! O carro rapidamente se transformou num forninho de assar crianças, especialmente para o afilhadinho que não puxou em nada a madrinha nesse quesito e sente um calorão que eu não entendo! Quando eu percebi o pobre já estava desesperado de calor e foi a conta de soltar o cinto para ele saltar da cadeirinha e começar suas peripécias. Me deu um olé que até hoje estou tonta... De repente o pequeno se enfiou entre os bancos dianteiros de tal forma e com tal empolgação que acabou por ficar preso entre os assentos, a marcha de câmbio e o freio de mão! Difícil de imaginar a cena, né? Mas mesmo para eu que vi tudo, não conseguia compreender: perna para cima, um braço para um lado, cabecinha praticamente debaixo do assento do motorista e uma mãozinha que não sabia se tentava alcançar o pedal do freio ou o extintor de incêndio! A cena era hilária, mas confesso que a minha crise de riso foi mais pela nervosia que eu fiquei! Com isso perdi as forças e não conseguia tirar o menino de lá! Para minha sorte chegou o padrinho-heroí e salvou o pequeno, não sem evitar um chororô que até hoje não sabemos se foi porque ele se machucou ou se porque queria continuar lá! O fato é que aprendemos a 1ª lição: não adianta tentar inserir as crianças na cultura vinícula tão cedo!A volta da loja até nosso apê já não foi tão tranquila quanto as 'viagens' anteriores! O pequeno decidiu que não sentaria naquela bendita cadeirinha de jeito nenhum e a cada tentativa ele gritava e esticava as perninhas envergando a coluna para trás com tanta determinação e força, que eu, que dizia que " não importa a birra, lugar de criança e na cadeirinha", tive que dar o braço a torcer, pular para o banco de trás e ir fazendo companhia para o espoletinha, tentando evitar pelo menos que ele fosse em pé! Essa foi a 2ª lição do dia: na teoria tudo funciona, mas na prática uma criaturinha de menos de 2 anos pode ter mais força do que você!
A 3ª lição do dia nós aprendemos já em casa: as portas dos armários fazem bem mais do que manter o que está lá dentro distante da poeira! Na área de serviço temos uma estante de aço sem portas, com mantimentos, biscoitos e vasilhas plásticas e mais mil badulaques! Acho que deve ter sido como uma 'brinquedolândia' aos olhos do afilhadinho! E o que ele achou mais legal não foi apenas pegar, mas sim jogar no chão, pois o barulho é como música! A fruteira (daquelas de chão, com três cestos em diferentes níveis) foi outro brinquedo muito legal: limões todos ao chão! cebola com casca e tudo para a boca! batatas pela casa!
Aos poucos fui baixando o tom de voz e fazendo brincadeiras mais tranquilas... Dei um iogurte e bastante água! Depois comecei a ler histórias infantis, na esperança do pequeno cair no sono. Mas quem dormiu primeiro foi o padrinho, o que não agradou em nada o pequeno: quando ele percebeu que o tio estava dormindo começou a apontar, fez carinha de choro com beicinho e tudo e depois tentou acordá-lo (sem sucesso). Mais algumas historinhas, passeios pela casa, olhadas pela janela, um chorinho e o pequeno acabou dormindo no meu colo... Muito fofo! E finalmente consegui até tirar uma fotinha! Não parece um anjinho?!? Olhando assim ninguém imagina... Rsrsrs...

Foi uma das tardes mais exautivas e, ao mesmo tempo, prazerosas que já tive!